Vazio Deixado pelo Mar
João das Sombras
Fado
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Este fado lisboeta cativa com vocais expressivos e carregados de saudade, entrelaçados pela melodia melancólica da guitarra portuguesa e o dedilhar acústico ritmado da viola da fado. A produção acústica e íntima recria o ambiente de uma casa de fado tradicional, com rubato emocional e reverb mínimo para uma sensação de presença viva e crua. O solo de guitarra evoca as ruas antigas de Lisboa, aprofundando a nostalgia e a dor do amor perdido no mar.
Lyrics
Ai, saudade que me rói a alma, No peito um vazio que não tem fim. Destino cruel, amor que se foi, Deixa só a dor, este fado sem dó.
Nas noites frias da miséria antiga, Vivíamos juntos, pobres mas felizes. Teu riso era luz na minha penumbra, Mas o fado mandou, separou-nos de vez. O mar sussurrava promessas vazias, Levantou-te as ondas, levou-te pra longe. Fiquei aqui só, com mãos vazias, A mendigar recordações no vento. Ai, amor perdido, que saudades me dás, Na pobreza do peito, só cinzas restas. O destino ri, zomba da minha sina, E eu canto esta dor, que ninguém explica.
Recordo teus olhos, negros como a noite, Que me abraçavam sem nunca cansar. Mas a sorte vira, o pobre é esquecido, A fome no estômago, o frio no olhar. O mar revolto, com sua fúria cega, Engoliu nossos sonhos, afogou nossa paz. Saudade que aperta, que não me solta, É faca no peito, que sangra sem parar. Ai, que destino amargo, que sina tão dura, Perdi-te no tempo, na dor que não cura. Na sombra da morte, te procuro em vão, E o fado me leva, sem volta, sem chão. Pobre coração, partido em pedaços, Canta esta mágoa pros ventos do nada.
Ai, saudade... ai, amor... Destino cruel, leva-me também. Ai, dor sem fim... fado que não acaba... Saudade eterna, no peito eu guardo. Ai... ai...
Vazio Deixado pelo Mar
João das Sombras
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