Dor que Rói Devagar
Delfina das Marés
Fado
About
Fado lisboeta com vocais expressivos e carregados de emoção da fadista, acompanhados pela guitarra portuguesa em melodias melancólicas e strumming acústico da viola da fado. A produção íntima e acústica evoca a saudade profunda por um amor perdido no mar, com rubato e atmosfera de quarto ao vivo. Saudade, pobreza e destino cruel tecem uma narrativa de dor eterna e nostalgia portuguesa autêntica.
Lyrics
Ai, que saudade me invade o peito, dor que não passa, que rói devagar. Noites sem fim, o fado me aperta, um amor que fugiu, sem voltar.
Lembro o teu olhar, cheio de promessas, mãos calejadas na lida do dia. Pobreza nos roubou os sonhos mais belos, fome no ventre, lágrima na Maria. O destino cruel nos separou à força, tu partiste ao mar, eu fiquei na espera. Vento gelado leva o teu cheiro, e o meu coração chora na escuridão. Ai, amor meu, onde estás agora? Na saudade eterna, eu me afogo e me perco. Vida de sofreres, sem riso no rosto, só o peso da sina que nos esmaga o osso.
Volto às ruas vazias, eco do teu nome, pão que falta à mesa, frio que não aquece. Fado me canta baixinho no ouvido, perdi-te no tempo, na má sorte que tece. Ó sorte traidora, por que nos castigas? Um beijo roubado, um adeus sem perdão. Agora sou sombra, procuro-te em vão, na poeira do chão, no silêncio da mágoa. Saudade que mata, devagarinho, como faca no peito, sem remédio ou cura. Pobre de mim, viúva do teu abraço, nesta vida de dor, sem luz no caminho.
Ai, que saudade, ai, que dor sem fim... Leva-me contigo, ó amor meu perdido. Fado me leva, na noite sem fim... Saudade eterna, no peito ferido.
Dor que Rói Devagar
Delfina das Marés
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