Olhos Negros na Brisa do Mar
Beatriz do Mar Traiçoeiro
Fado
About
Um fado íntimo e soulful com vocais expressivos de fadista carregados de saudade, acompanhados pela guitarra portuguesa em melodias melancólicas e strumming acústico da viola da fado. A produção raw e acústica evoca as ruas de Lisboa, com rubato phrasing e emoção crua sobre amor perdido no mar e pobreza. Atmosfera nostálgica e emocional, como uma noite de lamento tradicional português.
Lyrics
Ai, que saudade me aperta o peito, Ó fado cruel que me roubas o alento, No silêncio da alma, choro baixinho, Perdido no mar da memória antiga.
Lembro o teu riso na brisa do mar, Teus olhos negros que me prendiam o olhar, Juntos na areia, sonhávamos o amanhã, Mas a pobreza nos veio roubar. Trabalhávamos do sol ao sol poente, Mãos calejadas, coração contente, Um pão partilhado, um beijo roubado, Noites de amor, tão puro e sincero. Veio o destino, traiçoeiro e frio, O mar chamou-te, partiste num barco, Deixaste-me só com a dor no peito, Saudade que rói, que não tem remédio. Ai, que vida dura, sem teu calor, Pobre de mim, viúva do teu amor, O fado canta na minha garganta, Lágrimas caem, noite sem fim. Ó amor meu, onde estás agora? No fundo do mar, ou no céu das estrelas? Eu fico aqui, com o vazio que resta, A esperar um milagre que o fado não resta.
Volto às ruas vazias, ao cheiro do sal, Onde outrora dançávamos sem igual, A miséria aperta, o estômago reclama, Mas nada dói tanto como tua falta. Os vizinhos cantam fados de dor, Eu juro que um dia te encontro no além, Enquanto isso, bebo o vinho da sina, Que embala a alma na sua melancolia. Fado, fado meu, por que me castigas? Levaste o meu bem, deixaste a angústia, Noites em claro, dias sem graça, Saudade que mata, devagar e em paz. Ai, que sorte amarga, que sina sem par, Perdi-te no mar, no abraço do azar, Pobre alma errante, sem rumo nem luz, Choro por ti, até o último suspiro. Ó mar traiçoeiro, devolve-me o meu, Ou leva-me também para o teu regaço, Que nesta terra de lágrimas e pó, Não há consolo para o meu coração. Repete o fado, ecoa na escuridão, Saudade eterna, companheira fiel, Até que a morte venha me buscar, E nos junte de novo, no eterno lar.
Ai, saudade... ai, fado... Meu amor perdido... No mar da memória... Ai, que dor... que dor sem fim... Saudade... saudade...
Olhos Negros na Brisa do Mar
Beatriz do Mar Traiçoeiro
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