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Duration4:32

Saudade que me Veste de Luto

Leonor da Fome Antiga

Fado

About

Esta fado lisboeta cativa com vocais expressivos de fadista carregados de saudade, sobre melodia melancólica e rubato, acompanhados pela intrincada guitarra portuguesa e dedilhados acústicos da viola da fado. A produção íntima e acústica evoca as ruas pobres de Lisboa, com strumming rítmico e emoção crua que rasga o coração. Noites de pranto e destino cruel ganham vida num som tradicional, nostálgico e profundamente português.

Lyrics

intro

Ai, que saudade me invade o peito, Um vazio que o tempo não cura, Noites frias, alma em jeito, Perdida no breu da ventura.

verse

Lembro o teu olhar, fogo que ardia, Promessas tecidas em fio de sonho, Mas o destino, cruel e traiçoeiro, Levou-te das minhas mãos dormentes. Na lama da rua, pés descalços, Sonhávamos com pão e com riso, Pobreza que rói como fome antiga, E o mar que leva tudo num sussurro. Ai, amor meu, onde estás agora? No vento que geme pela janela, Eu canto esta dor que não tem fim, Saudade que me veste de luto. Fado da vida, sina sem dó, Rasga o coração em farrapos, Tu partiste, leve como brisa, Deixando-me só com o meu pranto. Nas sombras da noite, choro baixinho, Pelo que foi e nunca mais volta, Ó fado amargo, por que me escolhes? Para sofrer calada esta mágoa.

guitar solo
verse

Volto aos becos onde nos beijámos, Mãos calejadas de tanto penar, O teu cheiro ainda me persegue, Como fantasma na minha alma. Pobreza nos roubou o amanhã, Fechou portas ao nosso querer, Fome no ventre, frio nos ossos, E o mar que engole os nossos suspiros. Ai, que dor, que angústia sem nome, Morte que ronda e não me leva, Prefiro esta vida de tormento, A um mundo sem ti, sem teu calor. Saudade é faca cravada no peito, Corta devagar, sangra devagar, Eu vivo morta, esperando o fim, Pelo teu regresso que não há de vir. Ó sina traidora, por que me marcas? Com ferro em brasa nesta saudade, Canto e choro, choro e canto, Até que o último fôlego se vá. Nas noites de luto, voz embargada, Invoco-te, amor, na escuridão, Mas só o silêncio me responde, E a dor que cresce como onda brava.

outro

Ai, saudade... ai, que saudade... Leva-me o mar, leva-me o fado... Perdida em ti, perdida em mim... Ai... ai... saudade eterna...

Saudade que me Veste de Luto

Leonor da Fome Antiga

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