Saudade que o Mar Levou
Inês das Noites Frias
Fado
About
Esta fado lisboeta cativa com vocais expressivos da fadista, carregados de saudade profunda por um amor levado pelo mar, sobre melodia melancólica e rubato emotivo. A guitarra portuguesa entrelaça arpejos intrincados e lamentos solitários, enquanto a viola da fado oferece dedilhados acústicos ritmados, criando uma atmosfera íntima e crua como uma noite fria nas ruas de Alfama. Produção acústica minimalista realça a emoção vocal nua, com solo de guitarra que evoca o vazio do esquecimento.
Lyrics
Ai, que saudade que me dói no peito, Um vazio que o tempo não apaga, Noites frias, o coração despedaçado, Onde foste, amor que o mar levou?
Lembro o teu olhar, cheio de promessas falsas, Mãos calejadas da lida do dia a dia, Pobreza que nos roubou os sonhos doces, Fado cruel que nos separou sem dó. Nas ruas escuras, eu choro baixinho, O vento leva o teu nome pro nada, Saudade que queima como sal na ferida, Vida de dor, sem teu calor ao lado. Eras o meu tudo, agora só cinzas, Destino traidor, que nos prega peças, Noites em claro, a alma em pedaços, Perdi-te pra sempre, no abraço do esquecimento.
Volta, meu bem, que o peito não aguenta, Esta fome de ti que me consome inteiro, Pobre como sou, sem ti sou mendigo, De afectos perdidos no temporal da sorte. Ai, que lágrima escorre devagarinho, Pelo rosto marcado de tanto sofrer, Fado que canta a minha desgraça antiga, Amor que fugiu, deixando só o lamento. Sonho contigo nas noites sem lua, Teu riso ecoa no silêncio profundo, Mas o amanhã traz só mais amargura, Saudade eterna, que me leva ao fundo. Eras luz minha, agora treva infinita, Pobre coração, batendo sem razão, Destino que ri da minha mágoa, Perdido no mar de tristezas sem fim.
Ai, saudade, ai, que dor sem cura, Fado que me leva, devagarinho, Perdi-te, amor, no vendaval da vida, Pobre alma minha, em pranto sem fim. Ai, ai, que saudade... Ai, que o peito dói... Saudade... saudade... Ai...
Saudade que o Mar Levou
Inês das Noites Frias
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