Eco do Riso nas Sombras
Pedro das Noites Vazias
Fado
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Esta fado lisboeta cativa com vocais expressivos e carregados de emoção de um fadista, entrelaçados com as melodias melancólicas da guitarra portuguesa e o dedilhar acústico da viola da fado. A produção acústica íntima evoca a saudade profunda por um amor perdido na pobreza e no fado cruel, com rubato que intensifica o lamento nostálgico. O solo de guitarra destaca o vazio da alma, num ambiente cru e vivo como as ruas vazias de Alfama.
Lyrics
Ai, que saudade que me invade o peito, Um vazio que o tempo não apaga, Fado cruel que me leva pro fundo, Do mar da alma, sem volta nem paz.
Nas noites frias de rua vazia, Onde o pão falta e o sonho se esvai, Te procurei nas sombras da fome, Mas o destino levou-te de mim. Eras a luz no meu pobre caminho, A mão que aquecia este frio que dói, Agora só resta o eco do teu riso, Perdido no vento que uiva e some. Ai, amor meu, por que o fado te roubou? Deixou-me só com as lágrimas salgadas, Como o mar que lambe as pedras nuas, E leva pedaços do que já foi nosso.
Lembro o teu toque nas noites de outrora, Quando a miséria não pesava tanto, Juntos sonhávamos fugir da tormenta, Mas o destino teceu outra trama. Pobre de mim, que vivo na penumbra, Com o coração em farrapos de dor, A saudade é faca que corta devagar, E o mar sussurra o teu nome ao luar. Volta, meu bem, que sem ti sou naufrágio, Afundo na noite sem fim nem alento, O fado canta a minha sina amarga, Perdido no breu desta vida sem ti. Ai, que dor funda que me consome, Um lamento que o peito não cala, Fado meu, leva-me contigo agora, Pois sem o teu amor, nada mais vale.
Ai, saudade... ai, fado... Leva-me, mar, leva-me pro fundo... Sem ti, só resta o nada... Ai... ai...
Eco do Riso nas Sombras
Pedro das Noites Vazias
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